E que campeonato é esse? Pontos corridos? “Mata-a-mata”?
Alguns dizem que o campeonato de pontos corridos é mais “justo” e esse é, sem dúvida, o argumento principal para a implementação/manutenção desse modelo de competição. Mas então onde entra aquela máxima futebolística “futebol é uma caixinha de surpresas”? Pontos corridos, via de regra, não deixa o campeonato nada surpreendente/emocionante ao seu final.
Mas como toda regra tem exceção, esta manifestou-se na última temporada. Salvo engano, na era dos pontos corridos, foi o único campeonato onde na última rodada ainda não se conhecia o campeão. Não só isso. Também não se sabia quem iria para a Libertadores, Sulamericana e Segundona. Sinto-me obrigado a admitir que, em meados de dezembro, enquanto haveria apenas dois times interessados num campeonato organizado no velho estilo “mata-a-mata”, nós tivemos onze: Vasco, Atlético-PR, Figueirense e Náutico tentando fugir da degola; Santos e Fluminense lutando pela última vaga da Sulamericana; Flamengo, Cruzeiro e Palmeiras por duas vagas na Libertadores; e Grêmio e São Paulo disputando o título.
Os torcedores desses clubes acompanharam o campeonato até o fim, é verdade. Num modelo antigo isso não ocorreria. Mas até que ponto isso é bom? Sempre nos diferenciamos pela emoção, pela possibilidade de qualquer (e entenda-se qualquer mesmo!) time conquistar o campeonato. Um clube pequeno que tenha conseguido chegar às eliminatórias pode valer-se de sua torcida num jogo de tudo ou nada (que se torna emocionante pela impossibilidade de corrigir um vacilo numa disputa posterior).
Acabamos com o fator torcida? Sim! E não me venham dizer que a torcida conta no campeonato de pontos corridos! Claro que conta! Mas nesse modelo até a torcida tem que ser regular!!! O que dificilmente acontecerá num time que não é! O torcedor acredita no seu time, o ama mais que a própria família e comparece. Uma, duas, três, quatro vezes ele suporta os tropeços de seu clube, mas há um momento em que se cansa. Claro que ele volta, mas nesse meio tempo ele desanima, fica um pouco ausente dos estádios e vê o tal time regular, com infraestrutura, CT de última geração, grandes nomes, abrindo uma imensa vantagem sobre o seu.
No “mata-a-mata” esse clube teria as mesmas chances de ser campeão do que aquele que está dez pontos à sua frente. Sua torcida vai infernizar a vida do adversário nos jogos em casa, no seu estádio pequeno, onde o grito de um único torcedor pode ser ouvido de dentro do campo. E o plantel tecnicamente superior vai precisar também de força psicológica, calma e auto-controle para fazer valer sua superioridade, fazendo realmente do futebol uma “caixinha de surpresas” e um esporte que exige muito mais preparo que somente técnico e físico.
Pontos corridos beneficiam os clubes mais regulares, como dizem. OK. É justo que se vença o mais regular. Mas eu pergunto: Futebol é para ser regular? Futebol é justo? É pra ser justo? O que fazer então com nossa "caixinha de surpresas"? (NÃO RESPONDA)
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
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